quinta-feira, 30 de abril de 2009

Uma visão Realista do G-20

Novas formas de cooperação e discussão começam a aparecer. Seja impulsionada pela crise que surgiu em 2008, ou pela compreensão de que poucos países nas discussões não resolvem mais causas globais, outro modelo de debate ressurgiu com mais força: o G-20.

O Grupo dos 20 (ou G-20) é um grupo de países criado em 1999, após as sucessivas crises financeiras da década de 90. Tem como objetivo favorecer o entendimento internacional através de um diálogo ampliado, levando em conta o peso econômico crescente de alguns países. O grupo reúne as 19 mais importantes economias do mundo e mais a União Européia, que juntos compreendem 85% do PIB mundial, 80% do comércio mundial, (incluindo o comércio intra UE) como também dois terços da população mundial.

Esse grupo desde sua criação não tem tido muita relevância no cenário mundial, por estar com menos status que o G7 (Estados Unidos, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Itália e o Canadá). Porém nesse último ano esteve no foco de discussão sobre se seria a maneira mas viável de combater e discutir a atual crise. Como a reunião que ocorreu em Londres no último dia 1 de abril.

Colocando uma lente da teoria realista, poderíamos concluir que realmente a ascenção do G-20 vem a comprovar que, na verdade, as organizações internacionais nada mais são que associações de Estados, além da vontade de cooperar só estar relacionada em alguns pontos, onde cada um procura ter maior papel nas decisões finais. Também sinaliza que para que uma organização de certo é necessário que seja guiada por uma potência, assim como a ONU foi por muito tempo pelos EUA. A cooperação não exisitiria de fato, mas sim a tentativa de que os outros sigam suas idéias para a resolução da crise. Idependente de qualquer conclusão alcançada na reunião, para os realistas elas serem colocadas em prática depende de vontade de cada Estado, que avaliará os beneficios internos que elas possam causar.

A crise originada e centralizada nos EUA aprofundou e seguirá aprofundando mudanças na correlação de forças entre os atores políticos e econômicos mundiais. Países emergentes como a China, Brasil e India vem tento seu papel aumentado no cenário econômico mundial, por isso para que de fato haja um cooperação e esforços conjuntos para que se contorne a crise é nescessário também o apoio dessas economias emergentes. Esse cenário pode estar sinalizando uma ascesão da ordem mundial multipolar ao invés da antes presente, e um recuo do poder americano, que antes estava também subentendido na ONU, já que era seu maior contribuinte.

Se por um lado a participação dos EUA no mundo como impulsionador da economia global, com o seu consumo e sua produção, por outro não se pode negar o papel crescenre dos outros países em desenvolvimento já citados. A China vem se mostrando com seu baixo custo de produção voltada pra exportação outro grande propulsor e talvez uma nova potência em ascensão.

A reunião que ocorreu no início do mês também pareceu marcar uma nova fase de maior regulação financeira. O que a princípio parecia elementar, por se um dos fatores geradores da crise, encontrava oposição de importantes países, como a Inglaterra que se ver ameaçada por ser o centro financeiro mundial. Essa cobrança de maior regulação (feita por exemplo pela França) chegou a trazer à tona a comparação com Bretton Woods (o encontro em 1944 que definiu as instituições da economia internacional pelas décadas subseqüentes), que tinha praticamente desaparecido desde o primeiro encontro do G20 sobre a crise, em novembro passado. Afirmando que era a maior reforma do sistema desde então, falou que acabou a desregulação total.

Para os liberais um movimento como o G20 demonstra que apesar de possível egoísmo, no fim a cooperação é o meio onde todos podem chegar a ganhos mútuos. Onde as organizações são o caminho para integração.

Outro ponto presente na pauta da reunião era o estímulo para a demanda mundial, o que para muitos é um ponto imprescindível para se sair da crise, além da busca de deter uma onde protecionista que já mostra indícios de começar a surgir.

Além disso, também foi discutido o aumento dos recursos do FMI. Nesse tópico também pode se observar maior participação dos países em desenvolvimento, que se comprometeram a ajudar fundo internacional, como o Brasil e China. Tal fato marca maior participação desses países nas decisões a serem tomadas. Embora o aumento de recursos seja criticado por alguns por no fim estarem ajudando bancos que criaram a própria crise.

Mas para de fato se avaliar a mudança rumo a multipolaridade é preciso tempo, para que assim possa se avaliar avanços nesse âmbito. Inquestionavelmente o novo modelo de discussão aponta para esse rumo, mas além da concretização da reunião com maior número de países participantes é necessário também que seja exista vontade de cooperar, e que esta vá além dd plano das palavras e dos acordos, firmados em reuniões internacionais por chefes de Estado:é preciso ação conjunta.
(Barbara Sagioro)

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