Com a grande crise mundial é muito importante que os países de primeiro mundo e os países em desenvolvimento se unam para formular estratégias de ação conjunta para definir os próximos passos a serem tomados diante da crise e da ameaça de recessão, pois, de acordo com os tradicionais pressupostos liberais, a cooperação tenderá sempre a propiciar maiores benefícios do que o isolamento e o protecionismo.
A OMC é uma instituição que pode servir como base de sustentação através da construção de um regime de regras para definir graus de cooperação entre os países no comércio mundial. O pensamento liberal acredita que as instituições internacionais podem acelerar a cooperação entre os Estados, pois são baseadas em um sistema de normas estáveis promovendo estabilidade e previsibilidade.
Na visão liberal, os países tendem a cooperar através de interesses comuns e, organizações como a OMC, podem contribuir através de suas dinâmicas de comércio. A OMC iria então, contribuir para o bom andamento da coordenação entre os interesses de cada país. Com a maior interação entre os Estados, e a manutenção do fluxo de comercio, o protecionismo poderá ser combatido, pois, espera-se, cooperação gera riqueza e riqueza gera paz.
A Rodada Doha, na visão liberal, tende a funcionar bem, pois o sistema de compensação sustenta a cooperação e pela percepção deles os benefícios coletivos são um ponto favorável para o bom andamento das negociações. O que se passa hoje na Rodada Doha é um grande impasse de interesses em relação a assuntos de interesse global, como, por exemplo, no setor agrícola. Cada país quer priorizar seus interesses e não permitindo a entrada de produtos que sejam mais baratos e que poderiam competir, em certos casos, até de maneira desleal com os produtos nacionais.
O Brasil é um grande interessado que as negociações da Rodada Doha tenham bons resultados e que diminuam o protecionismo, pois temos uma grande força na área industrial mas também na área agrícola exportadora, com uma qualidade diferencial propiciada pelo clima tropical que é favorável a uma produção agrícola de grande diversidade.
Já para os realistas, a paz e a cooperação são possíveis somente em situações de equilíbrio de ordem e os estados são imediatistas, Para eles os países tendem a não cooperar em uma situação de grande crise mundial. O que vem acontecendo de primeiro momento no mundo é um fechamento imediato para a livre comercialização como forma de proteger contra a crise.
Para os realistas os Estados são os principais atores no cenário Internacional e as instituições servem como espaço de exercício de equilíbrio de poder e são mantidos enquanto houver patrocínio da vontade do mais forte. Então a OMC para os realistas não teria nenhuma influência sobre a decisão dos estados em relação às práticas de comercio. Ela seria somente usada como beneficio em termos de aumento de poder de algum país, a não ser que o estado estimule.
A Rodada Doha também na visão realista tende a fracassar, pois os Estados praticariam o protecionismo e as decisões são focadas no curto prazo tendo uma ação racional e imediatista. A única forma de dar certo seria pela “vontade política” das grandes potências para sustentar o multilateralismo em uma perspectiva de estabilidade hegemônica.
O estruturalismo analisa o meio internacional como ameaça, tendo em vista a contradição de interesses entre as economias centrais e as dependentes. Para eles a dinâmica de acumulação econômica determina uma estrutura de poder contracionista. Na OMC e na Rodada Doha os países que detêm o poder econômico tendem a determinar as posições de acordo com os estruturalistas.
Acredito que os países mais centrais terão maior peso na decisão porem as decisões não serão concentradas em um só país e sim por um acordo conjunto. Como a OMC visa otimizar as relações de acumulação, os estruturalistas acreditam no bom andamento das negociações, mas direcionadas pelos países centrais Cada teoria levanta pontos importantes para o bom funcionamento da OMC e acredito que apesar do forte protecionismo, esta instituição será muito importante para a recuperação da grande crise mundial, através da dinâmica de comercio.
(Nicole Guaraná Ferreira)