quinta-feira, 19 de março de 2009

Cooperar ou não cooperar, eis a questão

(Barbara Sagioro)

Em meio a atual crise econômica mundial, muito se discute sobre qual será a estratégia adotada pelos Estados Nacionais. Será ela marcada pelo aumento da cooperação ou, pelo contrário, pelo fechamento ? Existiria o risco de que a onda protecionista iniciada recentemente venha a crescer ainda mais ? De modo geral, os países apresentam a tendência de sempre querer proteger suas economias em situações de perigo ou risco, como no caso de uma recessão. Na situação atual, a tendência será, num primeiro momento, de ceder às tentações de proteção dos mercados domésticos dos produtos estrangeiros, através da adoção de barreiras comerciais, sejam elas tarifárias ou camufladas sob alguma outra modalidade. Também pode-se esperar a diminuição dos níveis de cooperação em outros âmbitos, até mesmo naqueles envolvendo crises humanitárias.

Mas, certamente, a melhor maneira de lidar com a crise e minimizar seus efeitos não é através de medidas defensivas com relação ao mundo exterior, como as atitudes unilaterais e as medidas protecionistas, mas sim através da cooperação internacional. A história parece demonstrar que fechar-se sobre si mesmo não gera efeitos positivos de longo prazo, tanto para o coletivo internacional como para cada Estado isoladamente.

A crise tende evidenciar essa percepção, inspirando uma nova fase. Uma fase de cooperação e maior entrosamento entre os países na busca de soluções, na busca de uma forma de transformar uma grande crise mundial numa oportunidade de crescimento, através de maiores integração e cooperação.

A tentação do protecionismo

(Nicole Guaraná)

Com o agravamento da crise econômica mundial, os países tendem primeiramente a se proteger, adotando medidas que podem ter como conseqüência até mesmo, num grau extremo, o total fechamento das fronteiras comerciais. Isso já aconteceu na década de 1930. 

Nos Estados Unidos, o novo presidente Obama tem tomado medidas de caráter protecionista para tentar assegurar para os produtos das empresas americanas um nível mínimo de participação nos mercados. Não é um bom sinal. 

Também os blocos regionais, como o MERCOSUL, devem resistir à tentação protecionista, mantendo a cooperação interna, para que a recessão não se agrave ainda mais na economia da região. Esta interação regional é muito importante para o desenvolvimento da economia de países emergentes como o Brasil, com elevada concentração regional do seu comércio exterior. 

O mesmo raciocínio é válido para o caso de outro grande bloco regional, a União Européia, que enfrenta problemas maiores nesse momento de crise. As decisões comunitárias devem continuar privilegiando os objetivos coletivos, apesar das demandas individuais imediatas de cada país membro, em função da crise. Por utilizarem a mesma moeda devem agir em juntamente para que não haja uma grande desvalorização, pois existe a tendência de que o comércio externo do bloco diminua, em função das práticas de protecionismo que se multiplicam. 

Os países em desenvolvimento deverão cooperar e procurar a integração como estratégia para se manter mais fortes no mercado mundial. Os países ricos tendem, como primeiro reflexo, a se fechar para proteger comércio e indústrias, buscando sustentar o fôlego diante da recessão. A médio prazo, quando os países se sentirem melhor protegidos e preparados para superar a crise certamente irão retomar as negociações e reabrir suas fronteiras comerciais para o mundo. Mas, no curto prazo, a racionalidade dos Estados tende a ser egoísta, ou imediatista, visando atender somente os seus próprios interesses de curto prazo. Porém, diante do moderno cenário político econômico mundial, parece impossível agir de forma individualista, tendo em vista que todas as economias estão de certa forma interligadas.